Ao me olhar no espelho não enxergo absolutamente nada, há apenas um vazio, quando esforço meus olhos para me ver, enxergo apenas um vulto, um vulto assustador, tal vulto conhecido como meu eu interior, é estou conseguindo ver o que se passa dentro de mim, porém é horrível ver, é torturante olhar. Só existe o vulto, o meu monstro sobre o espelho, monstro que possui uma aparência deformada, porém que em seus olhos esconde certa tristeza e sofrimento. Sinto minha mente girar ao escuro, o monstro chama meu nome, que desejo toca-lo, pena que um simples toque, posso me perder em um mundo sem volta, isso pode significar aquele monstro á fora. Do outro lado escuto um choro, um choro baixo, mas que consegue fazer meus ouvidos pesarem, quando tento ver o ser que chora, enxergo apenas uma menina, tal menina caída ao chão, aos olhos dela vejo apenas lágrimas, seus pulsos, sua face e coxas, estão em estado infame, vários cortes bem atribuídos e marcados, posso ver cacos de vidro próximos a ela, espalhados pelo chão, pisco novamente tentando capturar ainda mais próxima a mim a imagem da menina, me esforçando consigo ver que a culpa de tais cortes é de si própria, a vejo se cortar enquanto chorar, que vontade tocá-la… Queria caminhar em direção a ela, porém o monstro grita mais alto meu nome, deixo-o gritar, me aproximando aos poucos da menina, no momento em que me vê, ela abre um sorriso enrustido, porém maligno, tal sorriso que faz meu corpo congelar, olho para trás e vejo o monstro, ele possuía uma aparência horrível, mas possuía seu toque bom, resolvi tocar o lado errado só por parecer mais atraente aos meus olhos. (…) Me pego voltando ao meu reflexo, é a mesma menina sangrando ainda está nele, porém só eu consigo vê-la. A menina vive em mim, ao lado de fora ela vive sangrando e só eu posso vê-la, só eu posso tocá-la, quanto mais salva-la, porém os cortes são dolorosos demais, porém seu choro é agoniante demais. O monstro vive adormecido, coberto por neblinas, esperando para se libertar um dia, tal monstro que vive dentro de mim, que se esconde quando tento alcança-lo, mas que chama meu nome quando surgem oportunidades. (…) Me afundando em meu próprio sangue, me matando de dentro pra fora, essa é minha realidade. (s.i)
(via centenasdecasos)



